Pela primeira vez, frente-a-frente, depois de tudo. Não sinto nada. Talvez deva encarar-te melhor, olhar-te mais prolongadamente.
Nada, não sinto nada. Não tenho arritmias, não estou a suar, não sinto um nó no estômago. Não se apoderam de mim a saudade, nem a raiva, nem o arrependimento, nem a tristeza, nem se quer a vontade. Continuo a sorrir, a falar com os meus amigos. Deixo-me envolver pelo ambiente, apesar da música não ser a melhor. Converso normalmente, como se nem estivesses lá. Como se eu não tivesse passado anos com a tua imagem todos os dias na minha mente. Como se não tivéssemos enlaçado as mãos vezes e vezes sem conta, como se não tivéssemos falado horas e horas sobre tudo e mais alguma coisa, como se não tivéssemos partilhados preocupações, desejos, sonhos. Como se cada momento que guardo na memória não passasse de pura imaginação minha. Como se não tivesses sido a pessoa que mais amei em toda a minha vida. Como se não continuasses a ser… Sinto-me feliz, e percebo porquê que não vivo nenhuma emoção neste momento. A minha mente é uma tela branca. Não penso em rigorosamente nada, não evoco o passado, nem o futuro. Estou Presente. Limito-me a sentir verdadeiramente sem dramatismos. E é ai que percebo, que te amo ao ponto de não sentir mais nada a par disso. Que te amo simplesmente, e portanto não espero nada, não exijo nada, não quero nada…